
O Seminário Interterritorial de Educação do Campo no Semiárido (Siecs) teve início na noite de quinta-feira (17/11), com a participação de mais de 250 pessoas que ocuparam o auditório do Instituto Federal da Bahia (Ifba) – Campus Juazeiro.
Com o tema “Terra, trabalho e educação”, o evento tem por objetivo debater diversas temáticas ligadas a educação contextualizada ao Semiárido brasileiro, com foco na educação do campo. A mesa de abertura trouxe um debate conjuntural, tanto do ponto de vista da política brasileira atual quanto da realidade sócio-cultural do Semiárido, sem deixar de pautar os avanços e retrocessos no campo da educação.
Após a mesa de saudação composta por várias organizações convidadas, os/a debatedores/a trouxeram contribuições para o seminário que segue até este sábado (19/11). Roberto Malvezzi (Gogó) fez uma memória do processo de mudança nas comunidades rurais do Semiárido, partindo da análise dos principais avanços no campo da educação, chegando a pontuar a mudança de mentalidade das pessoas, conquistada a partir da educação popular. Para ele, mesmo diante de um cenário de retrocessos na política brasileira, essa nova mentalidade, ou seja, a compreensão acerca da viabilidade do Semiárido, não irá se perder, uma vez que aconteceu uma quebra de paradigma, tendo ganhado espaço o paradigma da Convivência com o Semiárido.
A educadora Rubineuza Leandro, pontuou algumas políticas educacionais voltadas para o campo, implementadas nas últimas décadas, a exemplo do Pronera (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária), criação de cursos, regulamentações. A educadora, porém, ressalta que os movimentos sociais foram deixados de lado no que diz respeito à coordenação e/ou tomada de decisão com relação a tais políticas, o que se considera um prejuízo à educação do campo que, neste cenário de golpe no Brasil, tende a se precarizar ainda mais.
Por fim, João Pedro Stédile levantou aspectos do chamado golpe institucional, jurídico e midiático que destituiu do cargo a presidenta Dilma Rousseff no mês de agosto deste ano. Para Stédile, o golpe se resume a uma tentativa de salvar o capital, porém revela uma burguesia dividida entre o interesse nas taxas de lucros e a busca pelo poder dos partidos de direita. Citando o filósofo marxista Antônio Gramsci, João Pedro destaca a importância da classe trabalhadora disputar os espaços políticos espalhados por toda parte – desde as Câmara Legislativas e prefeituras até o Diretório Central dos/das Estudantes, associações, etc.
Na programação do seminário haverá outras mesas de prosa, rodas de conversas, tendas, feira de saberes e sabores, apresentação de trabalhos, apresentações de grupos culturais regionais, além de místicas e do lançamento do filme “Uma aventura no Semiárido”.
O SIECS é organizado pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa); Centro Territorial de Educação Profissional do Sertão do São Francisco – BA; Fórum Territorial de Educação do Piemonte Norte de Itapicuru; IF Sertão – PE; Universidade do Estado da Bahia (Uneb); Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf); Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Núcleo de Pesquisa e Extensão em Desenvolvimento Territorial (Nedet); Rede de Escolas Famílias Agrícolas Integradas do Semiárido (Refaisa); Secretaria Municipal de Educação de Conceição do Coité e Grupo de Agroecologia Umbuzeiro (Gau).
