
O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Angelo Coronel (PSD) abriu, na sexta-feira (05/05), a reunião de lançamento do Podemos na Bahia, sigla que vai substituir o Partido Trabalhista Nacional (PTN). No encontro, que lotou o auditório Pedro Calmon, da Assembleia, Coronel elogiou o novo e “sugestivo” nome da agremiação e declarou: “Podemos ficar juntos, porque juntos seremos fortes”.
O evento de lançamento do Podemos foi bastante concorrido, contado com as presenças do governador Rui Costa (PT), do ex-governador e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Jaques Wagner (PT), dos deputados federais Jozi Araújo (PTN/AP) e Luís Carlos Ramos (PTN/RJ), além dos estaduais Alex Lima (PTN), Jânio Natal (PTN), Marcelo Nilo (PSL), vereadores e prefeitos. Na plateia, deputados federais de São Paulo, Amapá e Rio de Janeiro. Na análise de Angelo Coronel, “um recorde de público”.
Em sua fala, o presidente da Assembleia previu ainda o avanço da sigla no Estado, não só por causa da mudança do nome, mas sobretudo pela nova filosofia da sigla de abrir canais diretos de diálogo com a sociedade. “Quem sabe não haverá um crescimento nas bancadas estadual e federal e até mesmo um candidato ao governo?”, afirmou Coronel, nas presenças dos presidentes estadual e nacional do PTN, os deputados federais João Carlos Bacelar (BA) e Renata Abreu (SP), respectivamente.
A deputada Renata Abreu reforçou que a mudança de nome do PTN para Podemos significa, na verdade, uma nova forma de pensar a política no Brasil. “Vivemos uma sociedade conectada que acredita que participar é muito mais que ir às urnas de quatro em quatro anos. Participar é debater e decidir juntos. O Movimento Podemos traz a participação popular, a transparência e a democracia direta”, afirmou Renata Abreu.
De acordo com ela, o Podemos se propõe a ser o primeiro partido brasileiro, literalmente, de iniciativa popular, sem esquerda, nem de direita, nem oposição, nem governo, mas para frente. “O que a maioria da população decidir será defendido pelo Podemos”, garante Renata Abreu.
Para isso, ela conta que o Podemos pretende fazer uso de aplicativos e outras ferramentas digitais para compartilhar com o cidadão as questões a serem discutidas. A internet, diz a deputada , passa a ser o endereço digital do partido, permitindo, assim, uma maior participação popular nos processos de decisão política e com acesso a mais informações sobre os políticos no poder.
Uma das ações citadas por Renata Abreu diz respeito respeito a projetos de lei de iniciativa popular. Segundo ela, qualquer cidadão que propor um projeto de lei na plataforma digital do partido, e que receba em nível nacional 50 mil apoiadores, um parlamentar federal do Podemos é obrigado a protocolar, desde que a proposta seja constitucional. Hoje, um projeto de iniciativa popular exige a apresentação de um abaixo-assinado à Câmara dos Deputados, subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional. Isso significa conseguir em torno de 1,3 milhão de assinaturas.
O presidente estadual no partido, João Carlos Bacelar, também defendeu essa mudança de postura da sigla. “A luta do Podemos é contra a política do século passado, que insiste em não ouvir e não representa a voz dos cidadãos brasileiros. Contra o sistema político, que está desatualizado e não permite participação. Contra a corrupção. A favor dos trabalhadores”.
De acordo com o material divulgado pela agremiação, a proposta do Podemos é dar “uma resposta a esta nova sociedade em um mundo conectado, mas com uma política que não quer escutar. Somos um partido movimento que defende mais transparência, mais participação e mais democracia direta, organizado como um coletivo de causas, para juntos mudar o Brasil”. O lema da agremiação é justamente este: “Podemos Mudar o Brasil”.
Governador disse que novo partido contribuí para devolver a confiança ao povo brasileiro e fazer a tão necessária reforma política
Para o governador Rui Costa, juntos, o Podemos, o PT e outros partidos que tenham afinidade podemo transformar o atual cenário das instituições políticas do país. “Precisamos pegar partidos que têm ideologias parecidas e, estimulados pela lei, possam se agregar para que a gente a mude a realidade do Brasil”, afirmou. Ele ressaltou, no entanto, que o atual quadro político do país, como mais de 40 partidos existentes, estabelecer prioridades fica cada vez mais difícil.
“Mas entendo que juntos com o Podemos é possível devolver a confiança ao povo brasileiro e fazer a reforma política tão necessária na visão do governador do estado. “Precisamos estabelecer regras transparentes e para todos. Só assim, o povo voltará a ter orgulho e prestigiar a política e os políticos”, acredita ele.
Já o ex-governador Jaques Wagner elogiou a filosofia do Podemos e afirmou que não existe solução para o Brasil que não passe pela política. “A única alternativa à política são os regimes autoritários e ninguém quer ser obstruído de poder escolher seu governador, seu presidente da Republica como já aconteceu aqui”, lembrou Wagner, contado que iniciou sua vida política aos 17 anos, no movimento estudantil. “Vim parar na Bahia porque eu era liderança estudantil no Rio de Janeiro e, naquela época dos governos militares, quem falava contra acabava perseguido”.
Para Wagner, A regra do jogo político no Brasil hoje é uma regra ruim. “É uma regra que não estimula, não abraça, não fortalece os bons que querem fazer política”. Para ele, o maior erro de seu partido, o PT, foi não ter feito a reforma política no primeiro ano de governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Tem o debate sobre o financiamento público de campanha ou não. Agora fica mais fácil porquê ficou evidente que, quando não tem financiamento público, acaba tendo um financiamento que é mais caro”.
O ex-presidente da Assembleia, Marcelo Nilo, também citou os problemas que o Brasil enfrenta hoje por causa das crises econômica e política. “Na verdade, essa grave crise econômica é fruto da grave crise política que o Brasil atravessa. Se tivéssemos a competência de resolver a crise política pode ter certeza que nos resolveríamos a crise econômica”, afirmou. Para ele, a crise política começou com impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Isso tudo porquê 377 deputados jogaram na lata de lixo 54 milhões de votos”.
Ascom AL-BA
